Mesmo com crise, expectativa é que exportações brasileiras de TI cheguem a US$ 2 bilhões este ano
A maior parte das empresas de TICs não sofreu tanto o impacto da crise financeira mundial, pelo contrário, foi fortalecida, já que a TI é uma aposta de vários segmentos para melhorar a qualidade dos serviços prestados e, assim, vencer a competitividade. O setor está mais fortalecido devido à crescente demanda de serviços, que visa tornar mais eficientes os processos de gestão interna das empresas. O bom momento não é apenas no mercado interno. As exportações aumentaram no ano passado e devem crescer pelo menos 20% este ano. O mercado brasileiro de TIC está seguindo o ritmo do mercado internacional. Ao contrário do que tem acontecido em diversos setores da indústria, o setor de TIC tem apresentado grandes vantagens competitivas, aumentando cada vez mais a sua representatividade na economia. Somente no Brasil, estima-se que mais de 30 mil vagas estejam em aberto. Com a Lei de Incentivo, aprovada em 2008 – mas que ainda aguarda regulamentação –, no entanto, empresários acreditam que poderão aumentar o número de contratações, gerando mais empregos. Em entrevista exclusiva à TIC Mercado, Antônio Carlos Rego Gil, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), falou sobre o momento da indústria de TIC. Segundo Gil, o objetivo é fazer com que as exportações brasileiras de TI cheguem a US$ 2 bilhões este ano.
TIC – Como está o setor de TI brasileiro com a crise financeira? É possível fazer uma avaliação?
Antônio Gil – Obviamente, o Brasil não está imune e, por isso, acaba sendo impactado pela crise, que implica na redução de gastos, adiamento e redimensionamento dos projetos em andamento. No entanto, especialmente em TI, o país vê renovadas as suas oportunidades de ocupar uma posição de liderança na exportação de serviços de TI, ao lado da Índia. A crise nos oferece oportunidades para novos projetos, sobretudo os voltados para reduzir custos operacionais. O setor brasileiro de TI tem evoluído a taxas robustas e a previsão é de que, mesmo com a crise, cresça 7% em 2009. A robustez do mercado doméstico brasileiro, 8º maior mercado interno do mundo, permite ao Brasil destacar-se como um dos principais destinos de offshore outsourcing (terceirização de serviços de TIC feita fora do país de origem). Segundo o estudo que encomendamos à consultoria AT Kearney, o Brasil passou do 10º lugar em 2005 para o 5º em 2007, no ranking dos principais destinos para o offshore.
TIC – Ao contrário do que tem acontecido em diversos setores da indústria, o setor de TIC tem apresentado vantagens competitivas e, por isso, garantido representatividade na economia. O que diferencia esse setor dos outros em tempos de crise?
Antônio Gil – Estruturalmente, há o fato de que o Brasil ainda tem uma economia em transição para maior relevância do setor terciário, o que implica peso crescente dos serviços na formação do PIB. Conjunturalmente, a crise leva à necessidade de racionalização de custos de todas as indústrias. E elas só conseguem fazer isso lançando mão, principalmente, dos recursos de Tecnologia da Informação e Comunicação.
TIC – Dados da Brasscom mostram que as exportações do setor devem aumentar 20% em 2009. Qual a representatividade do segmento de serviços, especificamente, uma vez que a demanda por ele só aumenta?
Antônio Gil – O faturamento do mercado global de offshore, em 2008, foi de US$ 70 bilhões. A expectativa é de que em 2009 as exportações globais de serviços de TI atinjam US$ 84 bilhões. Do total de 2008, o Brasil participou com US$ 1,4 bilhão, com um crescimento de 75% em relação a 2007. O objetivo é fazer com que as exportações brasileiras de TI cheguem a US$ 2 bilhões este ano.
TIC – Segundo a Brasscom, as exportações aumentaram 75% entre 2007 e 2008 e, até 2011, a expectativa é exportar US$ 5 bilhões. A crise pode atrapalhar essa meta?
Antônio Gil – Sim, a crise já afetou, pois o mercado mundial vinha crescendo à razão de 40% ao ano. Agora, esse crescimento caiu para 20% ao ano, segundo a AT Kearney, o que ainda é algo muito relevante. O segmento de offshore deverá evoluir de US$ 70 bilhões, em 2008, para US$ 101 bilhões em 2010. Haverá um adicional de US$ 31 bilhões no mercado mundial nesse período. É aí que o Brasil deverá trabalhar, considerando que cerca de metade desta demanda adicional será feita na Índia. Nossas metas são ousadas: exportar US$ 2 bilhões este ano; US$ 3,5 bilhões no ano que vem e US$ 5 bilhões em 2011. As condições objetivas do mercado favorecem esse salto, e, ao mesmo tempo, estamos nos dotando de uma atividade de divulgação internacional à altura dos desafios, desde que fechamos, no início do ano, um acordo com a agência do governo, Apex-Brasil.
TIC – De que forma a regulamentação da Lei de Incentivo Fiscal, aprovada no ano passado, pode favorecer a atividade de TI no Brasil?
Antônio Gil – Embora aprovada em setembro de 2008 no Congresso, ela ainda não foi regulamentada. Enquanto isso não for feito, a insegurança jurídica impera e as empresas não se arriscam a deixar de recolher os 10% de contribuição ao INSS, o que diminui a sua capacidade de ofertar preços mais competitivos pelos seus serviços no mercado internacional. Ao mesmo tempo, já está em vigor outro dispositivo previsto na lei, beneficiando as empresas que apuram o Imposto de Renda pelo lucro real. Tais empresas já podem deduzir em dobro os gastos realizados com a formação de seu pessoal de desenvolvimento de software.
Fonte: htp// www.odisseu.com.br
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