Tela sensível ao toque indica uma nova forma de interagir com o computador
Stephen H. Wildstrom, BusinessWeek
27/03/2009
Um dos efeitos mais impressionantes do sucesso da Apple com o iPhone é que ela nos fez encarar o toque na tela como uma coisa natural e eficiente para interagir com os nossos instrumentos eletrônicos. Até agora, a revolução do toque na tela tem se limitado basicamente a telefones e outros aparelhos portáteis, mas agora está chegando aos computadores e deverá fazer uma grande diferença.
As telas sensíveis ao toque estiveram ao nosso redor por alguns anos, mas até o desenvolvimento de uma tecnologia chamada toque capacitivo - o tipo usado no iPhone - os vídeos deviam ser usados com uma caneta ou caneta laser. O toque "capacitivo" proporciona resultados razoavelmente precisos mesmo quando é acionado por erro de digitação. Mais importante ainda, as novas telas podem perceber múltiplos toques simultaneamente, permitindo formas sofisticadas de interação, como a de usar os dedos para esticar ou encolher imagens na tela.
A tecnologia do toque chegará aos PCs em grande estilo no próximo outono (do Hemisfério Norte), quando a Microsoft lançar o Windows 7. A mais recente versão do Windows inclui amplo suporte às telas multitoque, porém, apesar de as versões de teste já estarem disponíveis, os equipamentos para rodá-lo ainda estão escassos. Felizmente, a Dell acaba de apresentar sua nova versão do Latitude XT, um suposto computador ultraportátil que pode ser usado sem um teclado. O novo XT2 (com preço a partir de US$ 2,3 mil - telas capacitivas grandes são caras) vem com uma tela de 12 polegadas da N-trig. Sua tecnologia DuoSense permite controlar programas com uma caneta ou com o dedo. Você pode usar esse laptop conversível tanto como um notebook convencional que pode ser fechado ou, girando a tela, como uma lousa. Ele possui um processador mais veloz, bateria de maior duração e muitas outras coisas boas.
Eu carreguei o XT2 com o Windows 7 e o programa multitoque preliminar da N-trig. O resultado não é perfeito. Mas ele aponta para uma nova forma de interagir com um computador, que poderá fazer a transição, de telas sensíveis a toque com aplicações especiais em mercados verticais, como processamento de estoques, para a área predominante da computação.
No nível mais simples, o seu dedo é um mouse. Essa ideia pode ser familiar se você já tiver usado um iPhone ou visto sua demonstração na TV mas, de certa forma, ela é mais revolucionária num equipamento maior que roda programas relacionados com trabalho. Tocar um objeto na tela o seleciona, um ligeiro golpe num ícone ou link funciona como o clique de um mouse. Se mantiver seu dedo sobre a barra de título de uma janela, poderá arrastar a janela em torno da tela. O mesmo gesto na extremidade ou na parte inferior da janela permite aumentar ou diminuir o tamanho dela.
Isso é útil, mas não de todo surpreendente. Fiquei mais impressionado com a capacidade, em alguns programas, de rolar pelo conteúdo na janela deslizando meu dedo para cima e para baixo ou de um lado ao outro. Isso funciona bem no Internet Explorer, mas não no Firefox, problema que deverá ser reparado antes do lançamento do Windows. Apertando ou estendendo dois dedos na tela permite encolher ou expandir o conteúdo de uma janela, para aproximar ou afastar um item numa página, mapa ou foto na internet. (Curiosamente, isso funciona bem no Firefox).
Há alguns outros truques com dois dedos. Se tocamos algo na tela com um dedo para baixo e pressionamos com um segundo, trazemos um cardápio de ações com conteúdos específicos, equivalente a um clique com o botão direito. No Windows Photo Gallery, podemos girar uma fotografia com um gesto circular usando dois dedos. Além disso, pressionando um ícone na extremidade da tela surge um grande teclado na tela projetado para ser usado com os dedos, em vez de uma caneta laser.
O toque do Windows 7 tem muito caminho pela frente até as pessoas começarem a abandonar teclados e mouses em massa. Os programadores precisam se empenhar para que programas e até mesmo componentes do Windows respondam sistematicamente a gestos de toque. A resposta deveria ser mais ágil - apesar de que a lentidão que experimentei possa indicar que o próprio equipamento e o programa de baixo nível da N-trig que o aciona ainda precise ser melhorado. Neste exato momento o campo está limitado ao Latitude XT2 e ao TouchSmart da Hewlett-Packard (HP).
Tenho certeza de que, à medida que os dispositivos e os programas forem se aprimorando, o toque se transformará numa característica importante do Windows. Após usá-lo por algum tempo ele passa uma sensação mais natural do que o mouse. (Tradução de Robert Bánvölgyi)
Fonte: http://www.valoronline.com.br/
|