Pen drive rompe domínio de CDs e DVDs
Talita Moreira e Gustavo Brigatto, de São Paulo
23/03/2009
Nos anos em que permaneceram juntos, os Beatles lançaram 13 discos de estúdio. Desde sua separação, em 1970, outras dezenas de álbuns foram lançados com registros de shows, coletâneas e até músicas inéditas da banda. Toda essa produção, que há décadas tem enchido as prateleiras e armários dos fãs, agora cabe na palma da mão. Em poucos centímetros, um pen drive de 4 gigabytes é capaz de levar em qualquer bolso toda a história da banda, uma revolução que o quarteto de Liverpool jamais poderia imaginar.
Esses pequenos dispositivos, que chegaram ao mercado no ano 2000, embrenharam-se de tal forma no cotidiano que hoje fazem parecer jurássico o modo como você armazenava seus arquivos digitais num passado nem tão remoto. Em modelos que já chegam a 64 gigabytes (onde caberia 16 vezes a discografia dos Beatles), os pen drives deixaram para trás mídias que já pareceram imbatíveis, como os CDs, os DVDs e os disquetes.
Se o conceito de evolução das espécies fosse aplicável à tecnologia, talvez se pudesse dizer que o pen drive superou seus antecessores ao oferecer capacidades muito maiores de armazenamento a preços acessíveis e em espaços reduzidos. Eles são item quase obrigatório nos escritórios e até já fazem parte das listas de material escolar.
No Brasil, a ascensão dos pen drives coincidiu com o aumento vertiginoso das vendas de computadores e das conexões de internet ao longo dos últimos anos. Exatamente por isso, o país tornou-se peça central para os fabricantes deste tipo de memória - que, agora, veem o mercado brasileiro como esperança para amenizar os efeitos da crise econômica.
"O Brasil foi a estrela da Kingston em 2008. A América Latina foi a região onde as vendas da companhia mais cresceram e, dentro dela, o Brasil foi o principal mercado, superando pela primeira vez o México", afirma Jean-Pierre Cecillon, diretor de vendas da empresa no Cone Sul. As vendas da Kingston no mercado brasileiro aumentaram 92% no ano passado, chegando a US$ 117 milhões. O volume de memórias flash comercializadas no país cresceu 163,5% no período. Na SanDisk Brasil, as vendas cresceram 40% e a expectativa é superar esse número em 2009. "A volta às aulas foi muito boa e existem muitas oportunidades no mercado corporativo e com os netbooks", diz Fabiano Cotait, gerente de varejo da empresa.
Para Cecillon, da Kingston, o que explica o sucesso dos pen drives é a versatilidade do dispositivo - que serve para guardar apresentações de trabalho, vídeos, músicas, fotos e também pode ser usado como uma ponte na transferência de dados entre computadores.
Como os preços vêm caindo muito, os pen drives tornaram-se uma ferramenta relevante até para quem não tem computador em casa. Vá até uma lan house - principal local de acesso à internet no Brasil - e você terá grandes chances de encontrar frequentadores munidos de pen drives para guardar seus arquivos. "Percebemos que isso acontece. Já recebemos ligações, em nossa central de atendimento, de pessoas que são consumidoras de pen drive, mas não têm computador", afirma Cecillon. "Isso vem da popularização do produto, cada vez mais barato.
Na SanDisk, um pen drive de 2 gigabytes custa em média R$ 35. O modelo se tornou o produto de entrada da companhia. "O pen drive de 1 gigabyte ficou muito tempo no mercado porque era uma novidade. Mas agora já virou brinde", diz Cotait. Na Extralife, os modelos de 1 gigabyte também estão fora do catálogo. "O preço de 1 e 2 gigabytes é praticamente o mesmo", diz Ricardo Frassini, gerente de produtos da empresa.
Ele estima que entre 5% e 10% do preço de um pen drive seja composto pela carcaça e o conector que o liga ao computador, televisão ou som automotivo. O valor restante depende de componentes eletrônicos, principalmente a memória flash, o chip responsável pelo armazenamento das informações no equipamento. O insumo se tornou quase uma commodity no mercado de tecnologia e a queda vertiginosa nos preços nos últimos três anos - só em 2008 o tombo foi de 63% - fez com que os equipamentos ganhassem escala e que várias empresas se aventurassem por esse mercado.
Uma pesquisa feita pela SanDisk Brasil levantou 80 marcas de pen drive vendidas no mercado oficial de tecnologia em 2008. "Alguns apresentaram um alto índice de produtos defeituosos e devem deixar o mercado. Os varejistas estão procurando parceiros de qualidade", avalia Fabiano Cotait, gerente de varejo da empresa.
Apesar da queda nos preços e da disseminação dos pen drives nas mãos de um número cada vez maior de pessoas, esses pequenos dispositivos ainda mantêm um certo charme, talvez pelo tipo de conteúdo que eles permitem carregar - a produção musical dos Beatles jamais poderia ser guardada num disquete e precisaria de vários CDs para ser acomodada. "Eles ainda são vistos como um acessório de tecnologia, não caíram na banalização do disquete", avalia Cecillon. "Tem muita gente que gosta de usá-los num cordão pendurado no pescoço."
Ajuda nesse processo a possibilidade de personalização dos pen drives. Atentos a isso, os fabricantes têm lançado produtos com formatos inusitados ou até atrelados a personagens. Na Kingston, um modelo do cantor Ricky Martin e outro em forma de peças encaixáveis (tipo Lego) foram sucesso de vendas na América Latina e na Ásia. Há ainda companhias que estampam sua logomarca em pen drives para uso de seus funcionários ou para dar de presente a clientes e fornecedores, o que abriu um filão para as empresas de brindes e artigos promocionais.
A Sertha Brindes vendeu cerca de 8 mil pen drives personalizados desde outubro. Sergio Valero, fundador da empresa, estima que sejam distribuídos no Brasil entre 70 mil e 80 mil pen drives por mês na forma de brindes empresariais. "E isso mal começou. Memória vai ser um grande mercado", diz.
Fonte: http://www.valoronline.com.br
Mercado cinza é o grande pesadelo dos fabricantes
De São Paulo
23/03/2009
A mesma característica que fez dos pen drives um sucesso de mercado também é o pesadelo das companhias que vendem o produto no mercado formal. As proporções reduzidas facilitam seu transporte por contrabandistas e não é difícil encontrá-los nos centros de comércio popular ou camelôs.
Nas contas de Fabiano Cotait, gerente de varejo da SanDisk Brasil, o mercado cinza pode representar 60% das vendas de pen drives no país. Além de não pagarem impostos, os produtos também chegam ao país com preços menores por conta da baixa qualidade de seus componentes. Ricardo Frassini, gerente de produtos da Extralife, explica que esses pen drives são produzidos com material de segunda linha, chips rejeitados pelos testes de qualidade dos grandes fabricantes. De acordo com ele, o processo de seleção dos componentes que estarão nos "bons pen drives" é dividido em três níveis. Os bons chips seguem para a linha de produção. Os de média qualidade são devolvidos ao fabricante, e os ruins podem ser devolvidos, ou vendidos como produtos de segunda linha. "Os produtos ainda vêm para o Brasil acondicionados do jeito que der, no meio de qualquer coisa", completa.
Para Sergio Valero, dono da Sertha Brindes, o mercado cinza reduz a atratividade do pen drive no portfólio de brindes vendidos pela empresa. "Algumas empresas preferem comprar produtos informais, em vez de comprar da gente. Fica difícil competir", diz. Jean-Pierre Cecillon, diretor de vendas das Kingston para Brasil e Conesul, acredita que a informalidade já foi uma ameaça mais grave, mas está em queda por conta de medidas como a MP do Bem. "A grande praga do mercado é a falsificação de produtos", afirma. Para combater essa prática, a Kingston tem investido em ações de esclarecimento e se aproximado dos consumidores com quiosques de informação em centros comerciais
Fonte: http://www.valoronline.com.br
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