23/03/2009 08:36
Fabricantes de celular mudam estratégia
 


Fabricantes de celular mudam estratégia
Heloisa Magalhães, do Rio
23/03/2009
Os fabricantes de telefones celulares estão convivendo com um novo cenário em que as vendas despencaram nesse início de ano. Um momento bem diferente após longo período de crescimento acelerado e um fim de 2008 em que as negociações entre fornecedores, varejistas e operadoras buscaram evitar transferir para o consumidor os efeitos da crise internacional.
"Não está fácil mas era esperado. Entramos o ano sabendo que não seria fácil. O Brasil vinha mal acostumado, com as vendas crescendo 30% a 40% ao ano. A maior parte de 2008 foi excepcionalmente bom mas começou a mudar no quatro trimestre. Na Europa, na metade do ano passado, o nível de compra caiu assustadoramente. No Brasil, havia a esperança que a crise não ia chegar mas já começamos a ser impactados na última semana de setembro quando o dólar disparou", diz o vice-presidente da divisão de telecomunicações da Samsung, Silvio Stagni.
Para o presidente da Motorola, Enrique Ussher o momento é de incerteza. Neste quadro, diz ele, o planejamento vem sendo realizado mês a mês. "A tática para operação de mercado está pedindo isso. Todos estão no mesmo dilema e a equação final ainda não se conhece. Reduzimos a produção (não informa o número) e a exportação caiu entre 50% a 60%. O aperto no crédito generalizado significa aperto nos inventários, aperto no subsídio, afetando toda a cadeia, os preços e na ponta o apetite do consumidor", afirma.
O presidente da Sony Ericsson, Ricardo Sasaki diz que já nas renegociações do quatro trimestre de 2008, todos os participantes desse mercado, sejam fabricantes, operadoras ou varejistas, tiveram que de alguma forma dar sua cota de contribuição para que o mercado continuasse rodando: "Todo mundo ficou meio atônito, mas todo mundo deixou de ganhar", afirma.
A avaliação dos executivos é que tanto o varejo como as operadoras estavam muito estocados no fim do ano passado, pois em setembro, quando a crise se agravou todos renegociaram compras buscando reduzir o impacto do aumento do dólar. Com isso, janeiro acabou sendo um mês de penúria nas vendas dos fabricantes.
Sasaki lembra que agora é o momento de fazer propostas para o segundo trimestre. "Há um certo compasso de espera. Fevereiro foi melhor que janeiro, muito inferior ao mesmo mês de 2008, mas foi melhor. A expectativa é de um segundo semestre de recuperação mas por melhor que venha a ser 2009 não se imagina um ano nem parecido com 2008."
Segundo a consultoria Teleco, a produção de celulares em janeiro de 2009 foi 63,8% menor que a do mesmo mês do ano anterior. Mas vale ressaltar que o início de 2008 foi atípico no histórico do setor, com vendas muito superiores à media que usualmente em começo de ano opera com demanda reduzida comparada às vendas de Natal. No primeiro semestre de 2008, a produção de telefones celulares foi 28,5% maior que no mesmo período de 2007.
Mas como lembra Eduardo Tude, consultor da Teleco, os dados de janeiro confirmam a tendência de redução de encomendas de aparelhos por parte das operadoras e queda nas exportações. Segundo ele, trata-se de uma tendência mundial, fruto da crise financeira global.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) já jogou para baixo as expectativas para 2009. Prevê que no final do ano seja registrada redução de quase um terço na produção de telefones celulares. Deve ficar em 52 milhões de unidades, menos 29% frente às 73 milhões de 2008. As exportações também cairão 24% nas contas da Abinee, de 25 milhões no ano passado, para 19 milhões de unidades este ano.
De acordo com a entidade, o mercado interno pode chegar a 175 milhões de habilitações com a ativação de 24,4 milhões de novas linhas, 16% a mais do que em 2008. Em 2007 o crescimento foi de 21% se comparado a 2006 e em 2008, 24% na comparação com 2007. Os dados divulgados pela Anatel na sexta-feira, dão conta que no fevereiro fechou com 152. 364.986 mil acessos, sendo 415 mil novos cadastrados pela agência.
A questão central quanto ao comportamento do mercado atualmente é a retração acentuada na busca por telefones para reposição e os mais sofisticados. Os clientes de menor renda continuam comprando os terminais mais simples e baratos. Apesar do crédito ao consumidor ser mais curto, os executivos lembram que a tendência do cliente das classes C e D é a de buscar um produto cuja prestação mensal encaixe-se no orçamento. Quanto aos produtos de maior valor, quem pensava em trocar o telefone por um mais moderno ou com novos recursos está adiando a decisão.
Mas como essa indústria é pródiga em novidades, a estratégia dos fabricantes é a de manter os lançamentos pois a evolução da tecnologia é um dos trunfos para atrair o consumidor: "Se ficarmos acuados a crise pega. Vamos continuar fazendo lançamentos para atrair a atenção do mercado. É aí que a gente atua", diz o diretor comercial da área de celulares da LG, Carlos Melo. "Participação de mercado perdida em tempos de crise é difícil de ser recuperada na bonança", complementa Sasaki, da Sony Ericsson.
Por isso, mesmo em cenário complexo, o que se espera, segundo as operadoras é um ano de 2009 com muitas novidades no setor. A Nokia não quis conceder entrevistas pois a orientação da matriz na Finlândia é não fazer análises relativas à perspectivas de mercado, mas Samsung, LG, Sony Ericsson e Motorola prometem muitos novos modelos na linha dos telefones inteligentes, com cada vez mais recursos de TV, soluções de acesso a internet, além daqueles voltados para o entretenimento com câmeras de fotos mais potentes, já há as com 12 megapixels e celulares com muitas aptidões para música.

Fonte: http://www.valoronline.com.br



 
 
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