Diário de Pernambuco
15.03.2009
Micheline Batista
Ladeira Abaixo no Ranking de UIT
O Brasil foi rebaixado no ranking de desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs) pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). O país caiu da 54ª colocação, em 2002, para a 60ª posição em 2007, atrás da Turquia, Bósnia, Kwait, Trinidad & Tobago e tantos outros. O levantamento foi feito junto a 154 países e compara o avanço dessas tecnologias com o objetivo de monitorar o esforço que vem sendo feito em todo o mundo no sentido de reduzir a exclusão digital. Nas primeiras colocações aparecem Suécia, Coréia do Sul, Dinamarca e Holanda.
Nas estatísticas da UIT, o Brasil aparece com uma taxa de penetração (número de acessos a cada grupo de 100 habitantes) de 20,5 na telefonia fixa e 63,1 na móvel. Como se não bastasse o rebaixamento no índice de desenvolvimento, o país ocupa colocações bem ruins no quesito custos. No caso da telefonia fixa, na 113ª posição, a cesta de produtos do Brasil custa US$ 29,1 e consome 5,9% da renda per capita da população. Na móvel, o país desce uma casa com a cesta custando US$ 37, abocanhando 7,5% da renda per capita.
A situação melhora um pouco quando o assunto é internet banda larga fixa, subindo para a 77ª colocação. Os internautas brasileiros pagam em média US$ 47,4 pelo serviço, ou 9,6% de sua renda per capita. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos, primeiro do ranking nesse segmento, a banda larga custa US$ 15 e representa apenas 0,4% da renda per capita dos norte-americanos. No relatório, o diretor da UIT Sami Al Basheer Al Morshid lembra que o alto custo dos serviços é a maior barreira de acesso às TICs, especialmente entre os mais pobres.
Custo - "Esse estudo vem corroborar tudo o que temos dito sobre o alto custo da telefonia no Brasil. Passados dez anos da privatização, esse é o momento de exigirmos a redução das tarifas, pois o serviço já foi universalizado", diz a coordenadora institucional da Associação Pró-Teste de Defesa do Consumidor, Maria Inês Dolci. Segundo ela, o consumidor migrou para o celular pré-pago porque não tem condições de pagar um telefone fixo e, mesmo assim, fica sujeito a tarifas mais altas ainda.
"Sem falar na carga tributária, também muito alta. Na fixa é de mais de 40%", exemplifica Maria Inês. Na próxima terça-feira, a Pró-Teste apresenta em São Paulo um estudo propondo a redução da taxa de assinatura mensal da telefonia fixa, hoje na casa dos R$ 40, como parte das comemorações do Dia do Consumidor (15 de março). O documento, depois, será enviado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ao Ministério das Comunicações.
O presidente da Associação Brasileira dos Consumidores de Telecomunicações (ABCTel), Renier Coelho, diz que a competição não se estabeleceu plenamente no país porque faltou a desagregação das redes. "O resultado disso são esses preços exorbitantes, um verdadeiro atentado à cidadania". Para ele, o Brasil deveria ter adotado o modelo de alguns países europeus, onde a cobrança é feita com tarifa flat, que independe do volume de ligações. O presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, solicitou uma avaliação do estudo à área técnica da agência, por considerar algumas conclusões da UIT equivocadas.
Ranking
Quanto se gasta com telecomunicações mundo afora
Telefonia fixa
País - Custo da cesta (US$)
1. Irã - 0.2
2. Taiwan - 3.2
3. Emirados Árabes - 5.0
4. Cingapura - 7.1
5. Barém - 4.7
113. Brasil - 29.1
Telefonia móvel
País - Custo da cesta (US$)
1. Hong Kong - 2.6
2. Dinamarca - 5.8
3. Cingapura - 4.0
4. Noruega - 9.7
5. Suécia - 7.5
114. Brasil - 37.0
Internet banda larga fixa
País - Custo da cesta (US$)
1. Estados Unidos - 15.0
2. Canadá - 19.8
3. Suíça - 32.2
4. Dinamarca - 30.4
5. Luxemburgo - 44.3
77. Brasil - 47.3
Fonte: UIT
Matéria publicada no Diario de Pernambuco em 15/03/09.
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