18 de março de 2009
BRASSCOM e entidades de serviços de TI levam ao G-20 posicionamento em defesa do livre comércio
Edmundo Oliveira, diretor institucional da BRASSCOM
A ameaça do protecionismo preocupa as empresas de serviços de TI, uma vez que o crescimento do desemprego nos países ricos tem incentivado o surgimento de um discurso nacionalista, contrário ao outsourcing (terceirização para o exterior). Nesse contexto, a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) associou-se aos esforços da Aliança Global de Serviços para fazer chegar aos participantes da próxima reunião do G-20, que acontece no dia 02 de abril, o posicionamento da entidade, bem como o de instituições congêneres da área de serviços de todo o mundo, em defesa do livre comércio. As entidades manifestam sua preocupação com iniciativas que possam implicar em restrições aos fluxos de comércio internacional por conta da crise econômica mundial. De acordo com o presidente da BRASSCOM, Antonio Carlos Rego Gil, os signatários solicitam aos participantes da reunião do G-20 que não permitam um retrocesso nas trocas internacionais, a partir do levantamento de barreiras cujas conseqüências seriam a redução forçada das exportações e importações. Para ele, tal retrocesso seria prejudicial ao comércio global, o qual se tornou um instrumento eficiente de distribuição de riquezas. Em particular o setor de serviços, com destaque para Tecnologia da Informação, tem se constituído em ferramenta do desenvolvimento econômico. Em entrevista exclusiva à TIC Mercado, Edmundo Oliveira, diretor institucional da BRASSCOM, disse que o objetivo é compartilhar esta iniciativa em prol de soluções para a crise atual.
TIC – A BRASSCOM associou-se aos esforços da Aliança Global de Serviços e instituições congêneres da área de serviços de TI para fazer chegar aos participantes da próxima reunião do G-20 o posicionamento destas entidades em defesa do livre comércio. Qual o objetivo do esforço conjunto?
Edmundo Oliveira – O objetivo é combater as tendências de renascimento do protecionismo por causa da crise global. Com isso, a BRASSCOM reforça o seu compromisso de promover o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação como meio para buscar o crescimento econômico e ampliar os mercados em escala global, com crise ou sem crise. A escala da crise econômica mundial exige uma solução ambiciosa e urgente dos governos do G-20 no sentido da recuperação da economia global.
TIC – Qual a real ameaça do protecionismo às empresas de serviços de TI, mais especificamente às brasileiras?
Edmundo Oliveira – Interromper o fluxo positivo de outsourcing, que tem se tornado um importante meio de geração e distribuição de riquezas. Para as empresas brasileiras, ameaça bloquear o acesso ao mercado em expansão e promissor.
TIC – As entidades manifestam a preocupação com iniciativas que possam impor restrições aos fluxos de comércio internacional por conta da crise econômica. Isso já está acontecendo? As exportações brasileiras, por exemplo, já estão sofrendo restrições?
Edmundo Oliveira – A exportação de serviços de Tecnologia da Informação ainda apresenta crescimento constante. As principais consultorias internacionais, que analisam e criam perspectivas para o setor, reduziram suas projeções após a crise, mas ainda assim, o número se manteve consistente. Mesmo com a revisão, a AT Kearney estima um crescimento de 20% no mercado global em 2009. Quanto às exportações brasileiras, passamos de R$ 800 milhões em exportações de serviços de TI em 2007, para R$ 1,4 bilhão em 2008. Esperamos atingir pelo menos R$ 2 bilhões em exportações de serviços de TI em 2009.
TIC – De que forma manter os mercados abertos constitui uma alternativa ao progresso?
Edmundo Oliveira – O comércio sempre fomentou o crescimento econômico global sustentável, o desenvolvimento e a redução da pobreza. Neste momento, em que a economia global passa por uma fase delicada, de reestruturação, manter os mercados abertos permitirá aos países e aos governos interessados, estimularem uma demanda imediata, beneficiando assim o fluxo tanto de bens, como de serviços. Se os mercados globais mantiverem-se abertos, a recuperação da economia global será mais rápida.
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