Internet é mais acessada fora de casa
Publicado em 27.02.2008
[SUTIA-C1]Mais da metade dos internautas recifenses navegam na internet de espaços públicos, segundo o Ibope Net/Ratings[/SUTIA-C1]
Jacques Waller
jwaller@jc.com.br
Um jovem de classe média baixa enfrenta o sol do centro até chegar na porta da lan house. Gastando entre R$ 1 e R$ 3, ele terá uma hora de conexão à internet, assim como tantos outros usuários de cibercafés da cidade. A cena é típica, mas o que pesquisadores da web brasileira não haviam percebido até agora é que mais da metade dos recifenses acessam a grande rede por meio de espaços públicos. Além de o Recife ser a cidade onde mais pessoas se conectam fora de casa, os recifenses também são os únicos cujos hábitos online desviam do padrão.
A constatação veio da diretora executiva do instituto de pesquisa Ibope/NetRatings, Fábia Juliasz, que visitou o Recife na semana passada. "Como eu vinha para cá, dei uma olhada nos dados que tínhamos do Recife e eles são impressionantes", conta a diretora, que diz que Recife detém o recorde nacional de acesso público à internet. "Cerca de 55% dos recifenses entram na internet de espaços públicos. É o maior índice do País", afirma.
Ainda de acordo com Juliasz, há uma boa interseção entre usuários residenciais e públicos, já que 64% dos internautas acessam a partir de suas casas. "Mas esse acesso público não inclui acesso pelo trabalho, que é de apenas 17%", conta. Juliasz diz ainda que Fortaleza tem números parecidos com os do Recife, tanto em acessos públicos como em freqüência. "Nas duas cidades, cerca de 20% dos usuários que acessam de lugares públicos o fazem uma ou duas vezes na semana", diz.
A terceira colocada, Salvador, tem 49% dos internautas usando locais públicos para entrar na web. Grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, aparecem na quarta e quinta colocação, com 40%, e Brasília, em sexto, com pouco mais de 30%. "Esses números podem significar muitas coisas. Primeiro, temos uma base da população muito interessada em se conectar e se relacionar na rede. Por outro lado, quando vemos uma grande penetração de acessos públicos, isso pode estar relacionado a questões de renda. É muito mais confortável acessar de casa e quando isso não é feito, as pessoas geralmente acessam da casa de um amigo", diz.
Juliasz também acredita que a quantidade de lan houses da cidade contribui para o aumento do acesso público. "Recentemente recebi um e-mail de um professor dizendo que boa parte dos alunos que pagam a cadeira de empreendedorismo montam projetos de negócios com lan houses", lembra. Ainda de acordo com a diretora, os hábitos online dos usuários da internet pública também são bastante diferentes daqueles encontrados no resto do Brasil.
"Em qualquer lugar do mundo onde essas medições são feitas, o item que é mais acessado é o e-mail. Em qualquer lugar, menos no Recife", destaca Juliasz.
Na capital pernambucana, segundo a diretora, as categorias mais acessadas, respectivamente, são comunidades e jogos. Só depois aparecem os e-mails. "Isso é muito incomum. Geralmente, a categoria entretenimento, que comporta jogos, aparece somente na quarta ou quinta colocação. E temos uma substituição de posições entre comunidades e e-mails. É a tal web 2.0, que não se limita apenas ao Orkut e significa que as pessoas querem se relacionar através de várias comunidades."
FONTE : http://jc.uol.com.br/jornal/2008/02/27/not_271540.php
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