18/10/2007 16:19
Laptops devem chegar a 300 escolas em 2008
 

Laptops devem chegar a 300 escolas em 2008
(Agência Estado) Qua, 17 Out - 14h18
Laptops devem chegar a 300 escolas em 2008
Por Maurício Moraes e Silva
São Paulo, 17 (AE) - Após uma novela de mais de dois anos, o governo federal pretende fazer em novembro a licitação para a compra das primeiras 150 mil máquinas do projeto Um Computador por Aluno (UCA), menina-dos-olhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A idéia de distribuir laptops para todas as crianças matriculadas em escolas públicas sofreu sucessivos adiamentos desde 2005, principalmente por culpa dos fabricantes, que demoraram muito tempo para desenvolver equipamentos portáteis de baixo custo.
Mas ocorreram atrasos também por parte do governo. Tempos atrás, houve o anúncio de que a compra seria feita em abril. Depois, a data foi mudada para outubro. Agora, existe a promessa de que a decisão não passará do mês que vem. "O nosso prazo é comprar esse ano para, no início do ano que vem, já estar disponível", disse à reportagem o assessor especial da Presidência da República, José Luiz Maio de Aquino.
Três modelos de laptops - XO, Classmate e Mobilis - estão sendo testados atualmente por alunos de cinco escolas brasileiras, localizadas em diferentes regiões do País (leia mais nas págs. 9 a 11). A idéia, agora, será optar por um dos aparelhos e montar um projeto-piloto com 300 escolas, que contem com no máximo 500 alunos e professores. "A primeira coisa que temos de comprovar é se isso vai qualificar a educação", afirmou Aquino. "Para isso vão servir essas 150 mil máquinas."
Mesmo entre especialistas a questão é controversa. De acordo com o assessor especial, é necessário verificar se as máquinas vão realmente melhorar o nível de aprendizado e o conhecimento dos alunos beneficiados. "Vamos aprender se (o notebook) é roubado, se estraga, qual é o índice de reposição...", destacou. "Essas 300 escolas vão nos auxiliar a definir se o Brasil vai adotar esse padrão ou não."
A licitação levará em conta as especificações técnicas e também atributos pedagógicos. Poderão participar do processo apenas empresas brasileiras, mas os modelos poderão ser importados. As 150 mil unidades, no entanto, estarão a anos-luz de distância de dar conta da realidade brasileira. O laptop chegará às mãos de apenas 0,4 % dos alunos.
Os aparelhos serão distribuídos para cinco escolas estaduais de cada um dos 26 Estados e do Distrito Federal. A escolha dos locais caberá aos secretários estaduais de Educação. Sobram 165 estabelecimentos de ensino. Aí, os laptops serão divididos entre escolas municipais e outras situadas em cidades importantes para o governo, como as de baixo Índice de Desenvolvimento Humano. "Vamos dar as máquinas, o servidor, a conexão e a capacitação a distância para os professores", disse Aquino.
Cada uma das escolas participantes também terá de firmar um convênio com uma universidade ou com um Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), órgão que geralmente cuida da informatização do ensino. Será necessário também preparar os professores para usar os equipamentos.
Com tantos detalhes, dificilmente o projeto começará mesmo no início do ano que vem. E qual vai ser o modelo escolhido? Ao que tudo indica, as maiores chances são do XO, mais barato e com interface mais bem resolvida. Em segundo lugar vem o Classmate - cujo preço ainda é um mistério - e, depois, o Mobilis, que apresenta uma série de problemas. O "leilão" já está para começar.
Boxe:
IDÉIA DE DISTRIBUIR MICROS SURGIU EM 2005
A idéia de distribuir laptops de US$ 100 para crianças de escolas públicas de países em desenvolvimento surgiu no início de 2005. O fundador do Media Lab (Laboratório de Mídia) do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Nicholas Negroponte, apresentou o seu projeto pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial, em fevereiro daquele ano, na Suíça.
Na ocasião, autoridades brasileiras ficaram tão entusiasmadas que chegaram a dizer que comprariam 1 milhão de unidades, possivelmente com o financiamento de organizações internacionais. Hoje, o governo anuncia que pretende adquirir um lote inicial de apenas 150 mil máquinas.
A idéia de Negroponte provocou a ira de grandes fabricantes de hardware e software, que se viram ameaçados pelo preço baixo dos equipamentos e pelo comprometimento em usar no aparelho apenas softwares livres. A Intel foi a primeira a responder e criou o Classmate. Depois surgiram outros modelos, como o Mobilis. Hoje, Negroponte e seus rivais fizeram as pazes.
Para dar conta da iniciativa, o pesquisador criou uma organização não-governamental, a OLPC (sigla de One Laptop per Child, ou "Um Laptop por Criança"). A entidade desenvolveu a máquina, batizada como XO, mas não foi capaz de atingir o preço de US$ 100 prometido. Hoje, o notebook custa US$ 188. Na semana passada, o governo do Uruguai concluiu um estudo comparativo entre o XO e o Classmate e deve comprar 100 mil laptops da OLPC.
Fonte: http://br.tecnologia.yahoo.com/article/17102007/25/tecnologia-noticias-laptops-devem-chegar-300-escolas-2008.html



 
 
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