Os patrocinadores pagam a conta
por Editoria de Negócios
Se o cliente aceitar ouvir propaganda, pode usar o telefone de graça. A novidade foi lançada em Londres e tem parceiros de peso como Adidas e Coca-cola
Vai um anúncio? Falar e mandar mensagens de graça pelo celular é possível, mas antes uma mensagem dos nossos patrocinadores. Essa é basicamente a natureza do Blyk, serviço fundado por um ex-presidente da Nokia para usuários com idade entre 16 e 24 anos. De fato, os consumidores podem ganhar até 43 minutos de ligação e 217 mensagens de texto (SMS) para utilizar, mas para isso precisam concordar em receber mensagens com propagandas e outras "notícias" de anunciantes.
O produto, que funcionará na Europa, foi lançado em Londres na segunda-feira 24. Representantes do Blyk estimam que o público potencial do programa chega a 4,5 milhões. Para conseguir os créditos, os novos usuários precisam responder de 40 a 50 perguntas sobre preferências, em áreas como entretenimento, música e esportes.
O Blyk identifica tendências e combina os perfis com as empresas apropriadas, que enviam até seis mensagens de textos por dia para os consumidores.
O serviço obteve parcerias com 44 marcas, como Adidas, Coca-Cola e MasterCard. As empresas pagam de 8 centavos a 1 real por mensagem enviada. Para ter certeza de que a mensagem foi bem recebida, as marcas podem interagir com os usuários, por meio de questionários via SMS.
"A nossa oferta de 217 mensagens e 43 minutos grátis todos os meses pode significar o fim de contas telefônicas para até 4,5 milhões de jovens no Reino Unido, sem qualquer contrato. Temos as marcas que querem falar com eles também, com mais de 40 alinhadas para o lançamento. O grupo representa quase todos os setores industriais", disse Ala-Pietilä, co-fundador da Blyk.
Uma conta rápida revela que os números do executivo talvez não satisfaçam todos os jovens, afinal, seriam sete mensagens grátis por dia e pouca mais de 1 minuto de conversas. Qualquer mensagem acima do limite mensal custa 40 centavos cada e uma chamada, 60 centavos por minuto. Se der certo, a companhia pretende expandir o serviço além da faixa etária atual, não necessariamente com a marca Blyk.
A empresa não vende aparelhos. Assim que um proprietário de celular preenche o questionário, recebe um SIM para colocar no telefone. Isso pode ser um problema, porque a maioria dos usuários tem planos pré-pagos com operadoras que normalmente bloqueiam aparelhos para uso em uma só rede.
Os comerciais enviados pelas marcas parceiras são interativos, com elementos multimídia, e os consumidores são estimulados a respondê-los. A empresa nega que aqueles que não se manifestarem sofrerão algum tipo de sanção, mas uma leitura das regras do serviço que acompanham o SIM estabelece que o plano pode ser interrompido caso o número de mensagens comerciais recebidas não atinja o mínimo por três meses consecutivos. Ou seja, os interessados talvez precisem deixar o celular ligado durante as 24 horas do dia.
Antti Öhrling, co-fundador, acredita que o serviço deva ter sucesso, mesmo que o conceito de telefonia com propaganda não seja tão palatável. "Vai dar certo porque, no fundo, é uma idéia criativa. Uma rede de celulares custeada por comerciais é algo que queremos mostrar e que as pessoas querem conhecer. Fundamentalmente, é a interação que os jovens mais fazem com seus celulares: receber e responder a mensagens", explica. – Felipe Marra Mendonça
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/2007/09/464/os-patrocinadores-pagam-a-conta |